11 de abr. de 2013

MATÉRIA ESPECIAL DO MÊS DA MULHER NO JORNAL O FLUMINENSE


Tropa feminina: Efetivo de mulheres ganha cada vez mais força nas corporações
 
Por: Juliana Dias Ferreira, Luciana Jacques e Mateus Almeida 31/03/2013
 
Com espaços cada vez maiores nas áreas profissionais, as profissões que antes eram dominadas pelos homens, hoje tem mulheres que com competência assumem o cargo
 
 
Cada vez mais as mulheres vêm mostrando suas competências nas mais diversas áreas do mercado profissional. Muitas dessas áreas eram, até então, dominadas pelo potencial masculino. Exemplo claro desse efeito é o destaque que elas estão tomando na polícia. Atualmente, são 3.652 policiais militares que atuam em operações policiais, na administração, no trânsito rodoviário, na saúde e nas Unidades de Polícia Pacificadora. Sem falar nos postos ocupados na Polícia Civil e Federal. A policial mulher conquistou com especial competência, perseverança e elevado senso de profissionalismo o seu lugar de destaque na corporação.
 
A divertida e charmosa delegada Helô, interpretada por Giovana Antonelli, na novela “Salve Jorge”, da TV Globo, é a tradução desse novo cenário. A personagem encarna todas as características que exige a integridade de um policial: justiceira e incansável. Na trama, ela tenta desvendar o caso do envolvimento de Morena (Nanda Costa) com a quadrilha de tráfico internacional de mulheres. Se a ficção imita a realidade, onde estão essas guerreiras que povoam vários batalhões e delegacias?
 
A PM do Estado do Rio recebeu em seu efetivo as primeiras mulheres em março de 1982. Eram 158 alunas do Curso de Formação de Soldados que, depois de formadas, foram alocadas na Companhia Feminina da Policia Militar. A Companhia foi criada com o objetivo de policiar pontos turísticos, trânsito, hospitais e atuar nas ocorrências envolvendo mulheres, crianças e adolescentes.
 
Criada pela Lei nº 476, de novembro de 1981, recebeu seu primeiro efetivo feminino no ano seguinte e sua primeira sede foi no 2º BPM, em Botafogo. Em 1983, ingressaram 14 mulheres na então Escola de Formação de Oficiais (atual Academia de Polícia Militar D. João VI). Mas somente em 1993 os quadros masculinos e femininos foram unificados. Com isso, as mulheres começaram a dividir o espaço com os homens e assumiram o comando de batalhões, diretorias, além de todos os outros serviços operacionais.
 
O major Hylmer, relações públicas do Grupamento Aeromóvel (GAM) da PMERJ, comenta a presença das mulheres dentro da unidade.
 
“Hoje, com relação ao efetivo feminino do GAM, corresponde a 10 mulheres para 154 homens no total. Mas a convivência é igual, cada um sabendo das suas atividades e responsabilidades”, enfatiza.
 
A primeira-tenente Rúbia Moura, de 38 anos, confirma essa atual condição dos batalhões em conviver com mulheres dentro da corporação, mas ressalta que alguns paradigmas foram quebrados ao longo dos anos.
 
“Com 15 anos de carreira militar eu vi muita coisa mudar, principalmente a mentalidade das pessoas. Quando eu ingressei na corporação, fui obrigada a cortar o cabelo bem curtinho. Não era permitido manter a nossa feminilidade. Aos poucos, fui me adaptando ao sistema machista da época. Não era natural ter mulheres dentro desse ambiente que era predominantemente, para não dizer exclusivo, machista. Eu sempre quis muito pertencer à polícia e me condicionei”, lembra Rúbia, que buscou na família de militares a inspiração para seguir na carreira.
 
Mas essa realidade foi mudando e, aos poucos, os batalhões viraram também lugar para mulheres. A cabo Cristiane Vieira, de 35 anos, a cabo Joseane Pires, de 34, e a cabo Raquel Silva, 33, se formaram juntas há 10 anos e encontraram um ambiente diferente. Todas atuam no GAM.
 
“Quando entramos para a corporação essa resistência não existia mais. Na nossa turma o número de mulheres era até maior”, comenta Raquel. Para Cristiane, a PM foi uma descoberta: “Entrei achando que as coisas fossem acontecer como na novela ou no cinema. Achava que tudo era possível, mas aos poucos fui descobrindo como as coisas funcionam. Não cheguei a conviver com o machismo que habitou no passado”. Joseane completa que as diferenças entre homens e mulheres é uma questão de postura. “É só saber se impor que tudo funciona muito bem”, afirma.
 
Fonte: Jornal O Fluminense
http://www.ofluminense.com.br/editorias/revista/tropa-feminina-efetivo-de-mulheres-ganha-cada-vez-mais-forca-nas-corporacoes